Plein air? Dificilmente...

 

Nos últimos dias, eu tenho lidado com uma espécie de bloqueio criativo que tem me causado certa indisposição pra pintar e desenhar. Eu pareço simplesmente não acertar a mão em nada e nenhum tema me parece digno o suficiente. Eu realmente gostaria de já estar em outro patamar, mas preciso ser paciente com as minhas próprias limitações. Acho que 3 anos de pintura – perpassados de certa inconstância aqui e ali – são pouquíssimo tempo ainda. É necessário mais trabalho e mais prática ininterrupta.

Em 1885, Claude Monet escreveu à sua amada Alice, dizendo: “(...) eu esbravejo diante da minha inabilidade em expressar melhor as coisas”. Portanto, acho que é normal sentir-se constantemente inadequado e incompetente. Às vezes sinto que me falta algo. Algo que eu ainda não sei definir. Em alguns momentos penso que talvez eu precise de um conjunto melhor de cores, ou um papel de melhor qualidade. E às vezes sinto que a única coisa que pode salvar o meu trabalho é passar a fazer plein air.

Como eu gostaria de morar num lugar com o clima mais ameno e frio, em que a natureza fosse sublime e as paisagens e cores mudassem com as estações. Um lugar em que não houvesse tanto lixo, sacolas de plástico e toda sorte de porcarias despejadas no mato e nos canteiros. Um lugar em que não houvesse tanto despacho, velas e restos de farofa e galinha embaixo das pontes e na beira dos córregos e igarapés. As paisagens daqui me dizem muito pouco e eu tendo a achar tudo pouco interessante de uma maneira geral. Não há bosques, não há flores, não há portos ou marinas repletas de barcos, não há jangadas e embarcações a vela (porque não há vento), não há rochas, falésias ou montanhas. As embarcações em geral também são pouco interessantes em seu aspecto e praticamente não há pontos arquitetônicos minimamente dignos de atenção. Os monumentos são pobres e não há chafarizes e estátuas elegantes, além de pouca arborização e muito lixo pelas ruas.

Ademais, como fazer plein air com esse clima? Quando tento me imaginar nessas circunstâncias eu me vejo diante do sol insuportável, a umidade, o calor, o desconforto, os curiosos me cercando, fiscalizando a minha atividade e fornecendo críticas indesejadas e emitindo juízo de valor. Vento, insetos, poeira. Tudo isso é absolutamente insuportável pra mim e eu não me vejo trabalhando nessas condições.

Eu devo estar parecendo um pouco ranzinza. É porque estou.

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