Postagens

Uma nova fase?

     Sempre ouvimos que a vida nos conduz por camihos misteriosos. Amor, trabalho, amizades. Tudo parece ter um propósito maior e as nossas escolhas muitas das vezes parecem ser meros cumprimentos circunstanciais de designeos maiores. Isso vale também para a arte? É a pergunta que eu me falo neste momento.       Fiz uma viagem a Belém para visitar meus pais e abraçar o restante da família. O que deveria ter sido um passeio de 2 semanas, transformou-se em um pesadelo que já dura mais de 2 meses. Mamãe adoeceu seriamente. Eu e minha esposa ficamos para auxiliá-la em tudo que podíamos. Pobre mamãe! Eu sofro tanto pela sua atual condição de saúde! Tenho vivido para vê-la cada dia melhor e rogo a Deus para que ela possa ter uma terceira idade digna a partir de agora, com qualidade de vida e cercada de amor e cuidados.     Diante das duas semanas iniciais de "férias", eu trouxera comigo na mala apenas um pequeno conjunto de canetas nanquim e um cad...

Produtividade

      Como é bom voltar a ser produtivo. Após um ano repleto de realizações no campo pessoal (casamento, lua de mel, trabalho, publicações, reforma etc.), pude, enfim, retomar com força total a atividade que eu mais amo desenvolver. Um importante detalhe, agora eu possuo um estúdio de pintura. Não qualquer estúdio, mas sim o melhor estúdio que eu jamais sonhei um dia ter. Espaçoso, confortável, funcional, equipado, muito iluminado, perfeito em todos os aspectos. Esse novo cenário influenciou sobremaneira a minha produção e eu me sinto melhorando a cada dia no manejo da minha mídia. Espero que 2026 seja um ano de muita produção e aprimoramento. Sinto que estou no caminho certo e essa sensação tem sido uma injeção de ânimo diária para seguir trabalhando. 

Sobre a importância do Desenho

      Não se pode destacar o suficiente a importância magnânima do desenho em matéria de pintura. Eu diria, sem exagero, que o desenho é tão importante para a pintura quanto o ar é para o voo e a água é para o nado. Portanto, - me desculpem os (pós) modernos - pintar sem saber desenhar é o maior desperdício de tempo e esforço a que um artista poderia se submeter. Assim, é preciso se debruçar com incansável e persistente diligência à nobre e bela arte do desenho, sem a qual a pintura pouco ou nada pode render. 

Mais Água

     Tenho me forçado a usar mais água nas minhas pinturas. Assim, acabo tendo que fazer mais camadas e consigo efeitos mais complexos e naturais. Essa é mais do que uma mera preferência estilística, a aquarela deve muito à água e seus efeitos estilizados e imprevisíveis.     Muita água ajuda a criar sutilezas e transições interessantes. Da panagem à figura humana, das árvores ao mato, das ondas do mar à areia, água, água, água e mais água!        

Improdutividade

Imagem
                    Ando assoberbado pelas demandas do trabalho e quase não tenho tido tempo para pintar. Nesse momento eu devo ser provavelmente o artista mais improdutivo do mundo.          Sinto tanta falta do mundo claustrofóbico no qual eu me insiro enquanto trabalho entre os meus pincéis. As manchas no papel, os livros, os esboços, a sujeira do grafite, os respingos de tinta pela mesa toda, o cheiro dos pigmentos, as minhas mãos sujas, lápis e pincéis espalhados pela casa toda. Cada parte disso me traz nostalgia e muitas lembranças boas.           Às vezes parece que enquanto todos estavam angustiados durante a pandemia, eu estava ocupado sozinho encontrando a verdadeira felicidade na solidão das minhas cores. E, depois que as coisas voltaram ao normal, nunca mais eu pude encontrar novamente satisfação igual na vida.

Andy Evansen

    Nas últimas semanas, eu pouco tenho produzido qualquer coisa. Ao invés disso, tenho me debruçado a estudar o trabalho do artista Andy Evansen, cujas aquarelas tiveram em mim um impacto avassalador, dada a simplicidade e beleza das suas pinceladas.     Me impressiona bastante como ele faz estudos de valor, utilizando apenas uma escala de 3 tonalidades. Isso para encontrar as grandes formas e poder discernir as zonas de maior e menor luminosidade. O sr. Evansen trabalha quase sempre na técnica wet on wet , buscando sempre perder as bordas. Segundo ele mesmo define, "esse é o grande charme da aquarela". Não há como questionar os seus métodos, dado que os seus resultados são assombrosos, de uma simplicidade que choca, mas que também encanta e intriga. Andy Evansen realmente faz parecer muito fácil. Suas demonstrações impressionam não pelos "truques" que ele usa, mas justamente porque não há truques. É tudo tão trivial, quase óbvio, e, no entanto, alguém poderia dize...

Desenho x Pintura

  Esses dias eu estava meditando e cheguei à seguinte conclusão: sou melhor pintor que desenhista. E esse é um grande problema que eu precisarei resolver nos próximos anos, pois os problemas observados nos meus desenhos estão afetando os resultados das minhas pinturas. E isso não é de hoje, devo acrescentar. É verdade que eu já fiz um certo progresso, sobretudo nos últimos 4 anos. Entretanto, ainda há bastante chão para percorrer, principalmente no que tange o desenho da figura humana, o mais difícil para mim. Espero perseverar com diligência nos próximos meses e alcançar um progresso significativo. Que Deus me ajude.

A figura humana

      Ando bastante empolgado para fazer figuras humanas. Encher os meus quadros com pessoas de todos os tipos e gêneros. Esse interesse é relativamente novo, pois, via de regra, eu sempre evitei esse tema, pela dificuldade - que eu acreditava intransponível. No momento, entretanto, não há nada que eu deseje pintar mais. A tarefa não é fácil, portanto eu terei que praticar, praticar e praticar.      É muito bom estar empolgado com a minha arte. Pena que não posso dizer o mesmo em relação ao meu trabalho. 

Foco e aquarela

Imagem
                                                           Recentemente fui a Belém na companhia adorável da minha amada e querida Laryssa. Que grande prazer me deu vê-la reconhecer algumas das paisagens de lá a partir de pinturas minhas. Essa é uma alegria que não se pode comprar, eu suponho. Aliás, há muitas alegrias que a pintura pode proporcionar e que o dinheiro não pode comprar. Isso talvez explique o meu recente ímpeto de querer atacar outras mídias e expandir o meu campo de atuação. Acho que seja normal e, até certo ponto, esperado, afinal, em 2024, eu completo quatro anos daquilo que eu chamo de “atividade de pintura mais ou menos consistente”. Chegou para mim o momento de querer testar e apreciar outras mídias além da aquarela. Nos últimos meses tenho me aventurado com pastel, guache e, mais recentemente, óleo. Sim, vinte anos de...

Plein air? Dificilmente...

  Nos últimos dias, eu tenho lidado com uma espécie de bloqueio criativo que tem me causado certa indisposição pra pintar e desenhar. Eu pareço simplesmente não acertar a mão em nada e nenhum tema me parece digno o suficiente. Eu realmente gostaria de já estar em outro patamar, mas preciso ser paciente com as minhas próprias limitações. Acho que 3 anos de pintura – perpassados de certa inconstância aqui e ali – são pouquíssimo tempo ainda. É necessário mais trabalho e mais prática ininterrupta. Em 1885, Claude Monet escreveu à sua amada Alice, dizendo: “(...) eu esbravejo diante da minha inabilidade em expressar melhor as coisas”. Portanto, acho que é normal sentir-se constantemente inadequado e incompetente. Às vezes sinto que me falta algo. Algo que eu ainda não sei definir. Em alguns momentos penso que talvez eu precise de um conjunto melhor de cores, ou um papel de melhor qualidade. E às vezes sinto que a única coisa que pode salvar o meu trabalho é passar a fazer plein air ....