Foco e aquarela
Recentemente
fui a Belém na companhia adorável da minha amada e querida Laryssa. Que grande
prazer me deu vê-la reconhecer algumas das paisagens de lá a partir de pinturas
minhas. Essa é uma alegria que não se pode comprar, eu suponho. Aliás, há
muitas alegrias que a pintura pode proporcionar e que o dinheiro não pode
comprar. Isso talvez explique o meu recente ímpeto de querer atacar outras
mídias e expandir o meu campo de atuação. Acho que seja normal e, até certo
ponto, esperado, afinal, em 2024, eu completo quatro anos daquilo que eu chamo
de “atividade de pintura mais ou menos consistente”. Chegou para mim o momento
de querer testar e apreciar outras mídias além da aquarela. Nos últimos meses
tenho me aventurado com pastel, guache e, mais recentemente, óleo. Sim, vinte
anos depois, óleo, a mais nobre de todas as mídias.
Entretanto,
em quase tudo na vida há uma inadequação, uma incompatibilidade entre aquilo
que desejamos e aquilo que é possível alcançar diante das limitações do nosso
contexto de vida. Eu, por exemplo, gostaria de ser o mais dinâmico dos
pintores. Gostaria de pintar retratos, nus, paisagens, naturezas mortas, cenas
religiosas ou mitológicas, animais, cenários idílicos, qualquer motivo que fosse
minimamente digno de ser apresentado numa tela. Gostaria ainda de fazê-lo
usando aquarela, pastel, óleo, acrílica, guache, carvão, grafite, tudo.
Ecletismo, dinamismo e versatilidade. Não são essas as características dos
grandes artistas? Bem, aí é que está. Todo grande artista tem a seu dispor o tempo
e os meios para atingir a sua grandeza. Do momento em que acorda pela manhã até
a hora de deitar-se no fim da noite, o artista vive e respira sua arte. Esta é
a premissa que garante que ele domine o seu material e aperfeiçoe sua técnica,
que eleve o seu potencial e atinja a grandeza como artista, que explore todos os materiais que deseje. Bem, eu não possuo
esses privilégios...
Portanto,
foco e aquarela.

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