Andy Evansen
Nas últimas semanas, eu pouco tenho produzido qualquer coisa. Ao invés disso, tenho me debruçado a estudar o trabalho do artista Andy Evansen, cujas aquarelas tiveram em mim um impacto avassalador, dada a simplicidade e beleza das suas pinceladas.
Me impressiona bastante como ele faz estudos de valor, utilizando apenas uma escala de 3 tonalidades. Isso para encontrar as grandes formas e poder discernir as zonas de maior e menor luminosidade. O sr. Evansen trabalha quase sempre na técnica wet on wet, buscando sempre perder as bordas. Segundo ele mesmo define, "esse é o grande charme da aquarela". Não há como questionar os seus métodos, dado que os seus resultados são assombrosos, de uma simplicidade que choca, mas que também encanta e intriga. Andy Evansen realmente faz parecer muito fácil. Suas demonstrações impressionam não pelos "truques" que ele usa, mas justamente porque não há truques. É tudo tão trivial, quase óbvio, e, no entanto, alguém poderia dizer que jamais foram vistas aquarelas como as dele.
A ordem que ele indica é esta: i) iniciar com os valores mais iluminados, o que corresponde a preencher o branco da tela, guardando-o, entretanto, para as pequenas áreas de maior luminosidade; ii) os valores intermediários, talvez os mais importantes na pintura; iii) Finalizar com os valores mais escuros e os detalhes. E o mais importante: sempre conectando as formas. O principal, segundo ele, é encontrar e conectar as grandes formas. Daí que os estudos de valor sejam tão importantes.
Ele jamais reativa com água zonas que já secaram. Daí que trabalhe relativamente rápido, para aproveitar a umidade do papel. Aliás, este é outro ponto que chama atenção: ele umidece também a parte de trás da folha, e garante que isso rende um papel molhado por mais tempo.
Seu estilo solto, aliado a uma escolha quase sempre impecável de tonalidades, dão uma personalidade incrível às pinturas. Chamou a minha atenção o fato de que ele quase sempre utiliza misturas de 3 ou mais cores. Em todas as horas de vídeo que eu pude observar, o sr. Evansen jamais utilizou-se de qualquer pigmento puro que fosse. Sua paleta é limitadíssima e todos os seus verdes são combinações arbitrárias de azuis e amarelos diversos. Jamais menciona tonalidades, sempre pensa em termos de "mais quente" ou "mais frio".
Outro diferencial que eu notei em seu trabalho foi o aspecto granulado em suas aquarelas. Porém isso talvez esteja muito mais ligado ao tipo de papel utilizado, e menos ao seu talento. Todos esses grandes artistas usam Saunders ou Arches, marcas que estão totalmente fora do meu orçamento.
Espero em breve começar a testar algumas das coisas que venho aprendendo com ele e, quem sabe, demonstrar alguma melhora na minha técnica.
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